Histórias do Vovô Mario

Histórias do Vovô Mario

domingo, 24 de novembro de 2013

O PRÍNCIPE E A PLEBÉIA

O PRÍNCIPE E A PLEBÉIA 



Era uma vez um rei orgulhoso por ter um filho homem, único e futuro herdeiro para o seu trono.  
Seu filho, o príncipe, nasceu em berço de ouro, com todas as regalias necessárias para sua compor sua educação, e dessa forma receber no futuro a herança de seu pai, o rei. Porém, desde criança o principezinho não se sentia bem em ser tratado dessa forma. Tinha sete anos quando fugia de seu castelo e ia para rua brincar com as crianças mais humildes e filhos de pescadores.                                 
Em uma dessas suas idas conheceu uma menina, que parecia uma índia e a apelidou de “moreninha” por esse motivo. Ela era filha de um pescador humilde, e com o passar dos dias o príncipe, acabou se encantando pela sua beleza e simpatia.                                                    
O rei, desconfiado dos sumiços de seu filho, ordenou que militantes o seguissem, para saber onde seu filho passava o dia. E então, no dia seguinte, lá se foram seus seguidores. Escondidos, observaram que o principezinho entrou em uma área de pescadores, saiu acompanhado de uma menininha, que era a “moreninha” e logo em seguida se dirigiu pelas redondezas, reunindo-se com mais uma turma de garotos, onde jogavam futebol. E assim, de longe, os soldados subordinados ao rei, apreciavam tudo. Quando o príncipe fazia um gol ele corria para dar um beijinho no rosto da “moreninha”. Quando acabava a “pelada”, eles iam de mãos dadas para a tapera de seus pais. Chegando lá, o pai da indiazinha, que também gostava muito do príncipe mesmo sem saber quem ele era, o recebia com muito entusiasmo e com uma peixada maravilhosa!  
O príncipe escondia sua identidade com receio de que eles ficassem com medo e não quisesse mais sua amizade. Ele sentava em uma pequena mesa e deliciava-se com a moqueca! Após o jantar, o príncipe avisou que precisava ir correndo para sua casa, pois seu pai já havia chegado do trabalho. Despediu-se de todos e foi embora.  
O príncipe chegou ao seu castelo todo suado e logo correu para tomar banho e se arrumar, pra não dar “na pinta” sua fuga. No dia seguinte, o Rei chamou seus soldados para saber o que haviam descoberto. Eles relataram tudo o que havia acontecido inclusive a paixão de seu filho pela “moreninha”. 
O Rei ficou furioso, gritou e esbravejou:  
Criei este meu único filho para me suceder e ele vai se envolver logo com essa plebéia!!!  E continuou: 
- Amanhã vocês vão lá, peguem esta menina, levem para o alto mar e jogue-a para os tubarões!  E assim foi feito. 
Quando a menina saia da escola em direção a sua casa, foi abordada pelos malvados soldados, ordenados pelo Rei, que a pegaram, e a levaram para um navio. E lá se foram carregando a “moreninha” para o alto mar. No caminho, todos se encantavam com sua beleza e simpatia , principalmente o capitão do navio. 
Ao chegar em alto mar, o capitão falou para a tripulação:                    -  Esta missão faço questão de eu mesmo realizar em agrado ao meu Rei!    E assim ordenou que pegassem a menina e a colocassem em um barco, pois iria levá-la em um lugar especial, cheio de tubarões famintos que iria logo dar um fim nela, mas  que não queria ninguém com ele. A tripulação cumpriu suas ordens e lá se foi o capitão com a moreninhaDesapareceram da vista de todos. No caminho, o capitão olhava para a Moreninha e cada vez mais se encantava por ela, pela sua inocência de não imaginar o que estava acontecendo. Ela colocava as mãozinhas na água e falava para o capitão:        Olhe! Quantos peixinhos lindos!! 
Já a certa distância do navio, o capitão avistou uma ilha e logo pensou: - Vou deixar esta menina aqui nesta ilha e assim dizer que a joguei aos tubarões, pois não tenho coragem de fazer isso com uma menina tão linda e inocente. E então ancorou seu barco na ilha e muito emocionado falou pra Moreninha:  
Fique aqui, pois tenho  que ir embora. Se cuide! Essa ilha é muito bela, mas também muito perigosaE assim, com lágrimas nos olhos deixou na praia e retornou ao navio.  
Ao chegar, todos vieram curiosos querendo saber como tinha sido. O capitão relatou que a cena foi horrível: - Os tubarões desfacelaram pobre menina. Como ainda estava emocionado, por ter deixado a linda garotinha na ilha, todos abaixaram a cabeça e acreditaram no que havia contadoEm seguida, com a missão cumprida retornaram ao palácio do Rei.  
Chegando lá, o Rei disse para o capitão que iria o promovê-lo desde que nunca revelasse o que havia acontecido.  
No dia seguinte, o príncipe retornou a casa de “moreninha e ao chegar encontrou seus pais em uma profunda tristeza, que vieram chorando ao seu encontro e relatando o acontecimento. Ele abaixou a cabeçinha em lágrimas, abraçou o pescador e disse: 
- Isso não vai ficar assim! Vou ver o que aconteceu e trazer a moreninha de volta aos seus braços. assim partiu desesperado em direção ao palácio. Chegando lá, foi direto ao encontro de seu pai e gritou:  
- O que esses seus bandidos fizeram com a menina? O Rei com frieza contou:  
- Eu ordenei aos meus soldados para que trouxessem a menininha aqui ao palácio, para eu conhecê-la e oferecer uma boa educação pra ela, pois futuramente iria ser uma princesa, mas a menina acabou fugindo e eu não sei mais sobre seu paradeiro. 
príncipe engoliu seco, sem acreditar no que seu pai havia contado. Aborrecido, sentou em cantinho e chorou muito. E assim foi passando o tempo e ele nunca deixava de ir ao encontro do pescador, que  passou a gostar dele como um filho.  
O príncipe continuou em seu palácio se educando estudando engenharia civil, mas sempre muito calado e triste. Ele não conseguia esquecer “moreninha”. Os anos se passaram e o principezinho cresceu e continuou sendo muito amigo do pescador, pai de “moreninha” 
Como de rotina, os outros Reis levavam suas filhas ao palácio para arrumar um casamento com o príncipe, mas ele não queria saber de nenhuma delas.  
Um belo dia, o príncipe resolveu abandonar tudo, inclusive  a herança do trono e partiu para a casa do seu amigo pescador. Chegando lá, pediu para morar com ele e inventou que seus pais haviam morrido. O pescador o abraçou e falou: 
 Viver aqui comigo será uma felicidade, sinto assim a volta de minha filha! E o príncipe respondeu 
- Vou morar e pescar com você e não faltará mais nada para sermos felizes! E assim ficou por lá.  
O Rei sabendo do acontecido ficou muito triste e doente, devido à fuga de seu único filho e herdeiro de seu trono e ordenou que seus súditos chamassem seu filho para lhe fazer uma revelação. Ao chegar no palácio, soube que seu pai estava nas últimas. E assim resolveu ouvi-lo.  
Deitado em uma cama, o Rei falou que precisava revelar um segredo para o filho e começou a falar 
- Meu filho, quero que em primeiro lugar te pedir perdão. Você tornou-se um homem triste e infeliz depois do desaparecimento de sua amiguinha. Por isso, vou revelar-te  aconteceu que realmente aconteceu com ela. Ordenei ao capitão que a levasse para alto mar, e a jogasse aos tubarões.  
Ao ouvir o relato de seu pai, o príncipe levantou-se e saiu correndo a procura do tal capitão. E chegando a seu quartel, furioso começou a esbravejar querendo saber o que teria feito com a sua “moreninha”. capitão falou que havia prometido ao seu pai nunca contar a ninguém esse fato. Porém, como rei havia revelado o segredo, ele acabou falando a verdade de que não teve coragem de jogá-la aos tubarões, e que havia deixado-a em uma ilha deserta, e que tinha voltado lá, na esperança de encontrá-la, sem sucesso.  
Ouvindo o relato do capitão, o príncipe saiu desesperado, correndo para casa do pescador. Chegando lá, quase sem falacontou o que havia descoberto e partiram em direção a tal ilha. Velejaram o dia todo. Procuraram a menininha, que hoje, já deveria ser uma mulher, em várias ilhas. E assim permaneceram na procura por vários dias. 
 Em um desses dias, pegaram uma tempestade terrível e barco ficou a deriva. Cansados, acabaram adormecendo. Quando amanheceu, o barco estava ancorado e ninguém entendia como haviam parado naquela ilha. Então, desceram na ilha e procuraram abrigo. Andaram por várias horas, e em alguns momentos sentiam a mata da praia mexer. Assustados, foram ver o que era. Ao se aproximarem, acabaram sendo cercados pelos índios, que os amarraram. O pescador e o príncipe foram levados para o cacique da tribo, que ordenou, em sua linguagem:                                                                     - Levem-nos a cabana, que amanhã resolvo que farei com eles.                   
À noite, o cacique reuniu com seus índios conselheiros, para decidirem o destino dos dois coitados. Essas reuniões eram festivas, com danças em rodas, e muita bebida, que os deixavam meio alucinados. De repente, apareceu uma linda índia no meio da festa, que erquem preparava os drinks. 
Lá pelas tantas horas da madrugada, os índios adormeceram. Na mesma hora, essa indiazinha, correu e foi desamarrar os prisioneiros. Ao chegar à cabana disse:                                                                               Vão embora logo, pois os índios estão todos dormindo agora. E assim, quando estavam fugindo, o príncipe falou:                                                     - Vamos com a gente, porque senão vão descobrir que você nos ajudou e não sabemos qual será o seu castigo.  
Com muito custo convenceram a indiazinha a ir embora com eles. Pegaram o barco e partiram. príncipe não tirava os olhos da índia, lembrando de sua moreninha. E assim, aproximou-se dela, percebeu que ela falava algumas palavras de sua língua. E então perguntou de onde havia aprendido falar seu idioma. Meio confusa ela falou:                                      - Quando eu era muito pequena, uns homens malvados me pegaram para me jogar aos tubarões, porém, um deles, ficou com pena, e me deixou aqui nesta ilha.  Sem deixá-la terminar sua história, o príncipe se atirou em seus braços gritando: "Moreninhaaaaa"!!!!!!  
Seu pai correu para abraçá-la! E então, a volta foi uma felicidade e alegria para os três! índia também reconheceu seu pai e o seu  príncipe. Chegaram ao desembarque em festa e  “moreninha” saiu correndo ao encontro de sua mãe.  
Ao chegarem, o Capitão se aproximou do príncipe e ajoelhado falou que seu pai havia morrido, e que agora ele seria o novo Rei.  
E assim, o príncipe, agora rei, foi para o castelo, com sua moreninha e seus pais. Casaram-se e fizeram um reinado maravilhoso para os pobres pescadores e a todos.  
Fim (Quem quiser que conte outra)!!! 

AUTORIA: Mário Garcia Aguiar 

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