OBS: A distância de Duas Barras a Cachoeiro de Itapemirim é de aproximadamente 25 Km. Será verdade? Deixo pra vocês julgarem! Assim começa a segunda parte de minha história.
Em seu banquinho, no terreiro, meu comprade cantava com sua caixinha de fósforo, imitando um cantor, o qual de momento não lembro o nome! Essa caixinha fazia sucesso e ficou na historia!
Meu compadre tinha um irmão, Arino, um desses compositores musicais anônimos, que não ficam apenas na obscuridade! Lembro de uma música que meu compadre, sempre comigo e com a turma cantava:
"Rex um era grande amigo,
Cachorro de estimação,
Morreu atropelado ,
Embaixo de um caminhão!
Não podia imaginar,
De tal coisa acontecer
Agora só me resta
A saudade de você!
A saudade de você!"
Assim como essa música, eram compostas tantas outras, as quais já esqueci.
Meu compadre e minha comadre Candinha tinham sete filhos: Rogério (meu afilhado), Elizéte (minha afilhada), Neusa, Jair, Hélio, Zilda e Romildo Junior.Nessa época, eu era casado com a Liliam Depes e tivemos quatros filhos: Mário, Liliam, Viviane e Rosane. Meus filhos foram crescendo e a maior alegria deles era quando aproximava os finais de semana!
E lá vinham eles pedindo: - Pai, vamos a casa do compadre Romildo?
Eles adoravam ir lá! Chegando lá, corriam pelos quintais catando frutas no pomar, laranja lima, mangas e muitas outras. Brincavam com os filhos e filhas do compadre numa alegria sem fim.
Na casa do meu compadre, tinham varinhas com anzóis, que ele emprestava para meus filhos pegarem piabinhas. Era uma farra, pois eles adoravam passear de canoa no rio!
E essas são as moedas preciosas que guardo em meu baú, como contei de início, na história anterior.
Mas agora, relato o lado triste da historia, a qual nem gosto de lembrar. Porém, como na vida e nas historias tem sempre momentos tristes, vamos lá: Em um dia, meus dois afilhados Rogério e Elizéte, acompanhados de seu irmão Jair, embarcaram de carona em um carro para Cachoeiro e no caminho sofreram um acidente, vindo a falecer os três. Foi muito triste! Foram velados na igreja Santo Antônio. Imaginem para uma mãe e um pai tamanha fatalidade?
Depois disso meu compadre envelheceu muito. Começou a ficar esquecido das coisas, e para completar tamanha tristeza, veio a doença “Mal de Alzheimer. Ele não se lembrava de quase mais nada. Mas de uma coisa não deixou de lembrar, que era de seu compadre! E assim de vez em quando como de costume, ele aparecia em minha loja para “matar” a saudade minha e de meu irmão Isaac.
Após de alguns anos, mudei para Vitória e de vez em quando ia a Cachoeiro visitar meu compadre. Eu estava em Vitória quando soube que meu compadre havia falecido e alguns anos atrás, soube também, de minha comadre. Restaram agora seus filhos: Neusa, Hélio, Zilda e Romildinho.
Hoje, raramente passo por Duas Barras, onde eles moravam. As meninas mudaram pra Cachoeiro, o Hélio tem um restaurante, muito famoso pelas moquecas de pescada, localizado na cidade que seus pais moravam, e o Romildinho que trabalhava no banco do Brasil acabou voltando a morar em Duas Barras.
A última vez que estive com eles lá na fazenda, levei meus genros e um Karaokê! Foi uma alegria total! Matamos a saudade e cantamos a noite inteira, até o amanhecer, lembrando os velhos tempos.
E assim termino minha historia do Compadre Romildo! Três vezes mil moedas de ouro, um valor incalculável!!
AUTORIA: Mário Garcia Aguiar

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