Histórias do Vovô Mario

Histórias do Vovô Mario

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O PESCADOR E SEU BARCO

O PESCADOR E SEU BARCO 




OBS: Solidão: Na vida, as vezes, a gente se apega a algum bem material, que conseguimos adquirir com muita dificuldade e assim o valorizamos ainda mais!


       Era uma vez um agricultor, que vivia num casebre muito pobre. Ele tinha uma pequena leva de terras, e com muita dificuldade tirava seu sustento para  sobreviver. E assim ia vivendo. 
Mas seu sonho  era ter um barco e virar pescador como tantos outros que viviam em suas pescarias. Levantava cedo, ia para  beira mar e lá ajudava os pescadores no arrastão das redes, e assim sonhava de um dia ser um deles. Depois de sua apreciação em ajudar os pescadores e matar seu desejo, ia para sua roça cuidar de suas plantações e alimentar uma meia dúzia de gado que possuía.
Ele ainda tinha um bote que usava quando saia para pescar. Era um bote velho improvisado que construiu. Mas era com ele que satisfazia um pouco seus desejos! 
Sua vontade era tão grande que as vezes passava em uma fábrica de barcos e ficava horas ali observando como eram construídos. Certa vez, ele sonhou que estava construindo um barco, e quando acordou no dia seguinte, ficou com aquele sonho em sua cabeça, e assim resolveu construir seu barco de pesca! Passou a plantar mais em suas lavouras e com muito trabalho começou a juntar dinheiro. Quando tinha uma folga, ia para a fabrica de barcos e ficava observando como eram confeccionados. 
Em um certo dia, o proprietário da fábrica o convidou para trabalhar com eles. E assim, neste seu novo emprego foi se aperfeiçoando!
O dono da fabrica se encantou pela perfeição de seu trabalho, e sabendo de seu desejo de possuir um barco, ofereceu as sobras de madeira da fábrica. Assim, com esta ajuda, começou a construir seu tão sonhado barco! O  material era muito caro e por isso tinha dificuldades na sua aquisição. Mas continuava seu desejo. 
Um certo dia, já com o barco armado, só faltando o acabamento, uma de suas vacas, por ciúmes por ele deixar de zelar por ela, ia em seu barco a coçar e de vez em quando dava uns coices na armadura do barco. Quando ele via isso acontecer, parava o que estava fazendo e ia prende-la, pois tinha um ciúme enorme de sua construção! Levava horas e mais horas,  tarde da noite trabalhando, lixando com muito carinho seu empreendimento.
No dia seguinte, soltava as vacas no pasto, e lá vinha a vaquinha roçar em seu barco novamente. Então, ele  resolveu vender alguns gados para ajudar no término da construção, pois não restava outra solução. Com a venda dos animais,  ele acabou de construir seu sonho! Os pescadores ficaram com inveja de tão lindo que barco ficou, pois nenhum deles tinha um igual. Só faltava colocar o nome do barco. Os pescadores sugeriram colocar seu apelido, pois já era conhecido de todos:  "Solidão" e assim ele aceitou a idéia. 
De agricultor virou pescador. Saia com seu barco para a pesca e nenhum outro pescador trazia tantos peixes como ele, porque com seu barco, parecendo um valente guerreiro, enfrentava tempestades e vendavais, cortando as ondas gigantes e assim vencia  a fúria do mar. 
Dessa forma, com o seu sucesso na pescaria,  foi adquirindo muitas posses na colônia de pescadores. Porém, ainda faltava uma companheira fiel, para dar fim em sua solidão e ficar apenas o barco como sua alcunha!
Certa vez,  conheceu uma moça, também filha de um pescador amigo, e acabaram se gostando e casando. Foram  muito felizes! Ganhou um presente de seu amor: um filho, um robusto menino para aumentar sua alegria e felicidade!
    Ele continuou com suas pescarias, enfrentando os mares com seus perigos. Pescava só, pois achava que ninguém poderia pisar em seu barco, pois só ele conhecia. 
E assim foi crescendo seu patrimônios, porém não largava suas pescas. Até já com certa idade, com seu filho já grande, em uma bela manhã saiu para a pescaria. Ao entardecer, o tempo começou a fechar, ameaçando um tempestade raios, cortando o céu com trovões. Mas já acostumado a enfrentar tudo isso,  ele não se preocupou. \
Com seu barco valente e guerreiro, gritava: 
- Aguenta Solidãoooooo! - Essa tempestade nunca tivemos igual!
E dessa forma foi se aproximando de uma ilha rochosa. De repente, o solidão esbarrou em uma  pedra  e o pescador foi arremessado de cabeça. O barco começou a bater nas pedras, e o pobre do pescador sumiu nas ondas. Foi uma cena triste! Com a demora de voltar para casa, sua esposa ficou preocupada e pediu seu colegas para ir a sua procura. E então os pescadores partiram em busca do pecador solitário. Velejaram o dia todo, até que ao entardecer avistaram o barco "Solidão" todo danificado. Levaram o barco de volta a terra e muito triste voltaram de sua missão sem saber como contar a esposa sobre o acontecido. Sua esposa encontrava-se esperançosa, a beira mar. Ao tomar o relato dos pescadores, caiu desmaiada na praia. Foi uma cena muito triste. 
Apesar de seu sofrimento com a falta de seu amado companheiro, o tempo foi passando. O barco "Solidão" foi reformado por um pescador esperto, ficando novinho novamente! Esse pescador amarrou o " Solidão" no ancoradouro e esperou eufórico o amanhecer para estrear suas pescarias. Porém, quando acordou, foi ao ancoradouro e não viu o barco. Olhou para todo alto mar e não avistava nada.                                                           Surpreso e apavorado correu para anunciar o acontecido aos seus colegas comentando: 
- Pessoal, amarrei bem este barco, o mar está calmo, o barco não poderia ter saído sozinho. E então um de seus amigos gozador falou : 
- Foi o pescador "Solidão" que veio buscar o barco que você tomou dele! Muito nervoso, ele gritou:                          
     - Parem de brincar com uma coisa tão séria! - Reformei este barco que agora é meu! 
E o pescador gozador retrucou: 
- Você apenas colocou umas tábuas de  madeira nele, pois este barco é muito forte e pouco teve que reformar!
      Depois desta discussão, resolveram ir a procura do barco "Solidão". Velejaram por muitas horas e já cansados voltaram para casa. E assim por algum tempo, de idas e vindas a procura do barco, avistaram o barco "Solidão". Mas aconteceu que quando iam chegando perto, não entendiam como o barco acelerava e se distanciava deles, até sumir. Apavorados com aquele acontecimento, o pescador gozador comentou: 
- Não disse que isto é coisa do pescador "Solidão"???
E então todos acreditaram e falaram:
- Este barco é de um fantasma! Hooooooo!!!! 
Passaram alguns dias,  e um dos pescadores em sua missão de pescaria, após outra tempestade, foi içado ao mar e não voltou mais. Foi procurado, mas sem sucesso de encontrá-lo. No dia seguinte, alguns pescadores avistaram uma pessoa caída na praia e lá foram ver quem era. Ao se aproximarem, constataram que era o tal pescado desaparecido. E então questionaram como havia chegado a salvo.     Ele apontou para o mar e falou: 
- Foi o barco "Solidão" que apareceu e assim vim nele parar aqui. - Vejam ele ali! Mas ninguém viu nada e deduziram que o pescador desaparecido estava delirando.  
No outro dia,  recuperado, insistia que sua história de seu salvamento era verdade. Depois deste acontecimento todos acabaram acreditando. 
O assunto na colônia de pescadores era de que o "Solidão havia virado um fantasma! E assim, quando em suas pescarias avistavam o barco "Solidão", voltavam para casa. Nenhum deles ousava chegar perto. 
A  família do pescador "Solidão",  ficou desamparada. Toda a herança que o pescador havia deixando foi se acabando. Acabaram passando até fome por não ter o que comer. Triste com esta situação, seu filho, já rapaz, foi para a beira mar sentou e começou a chorar, olhando para o horizonte e lembrando de quando seu pai era vivo.
De repente, avistou um barco vindo em direção e não via ninguém em seu comando. Ele se levantou e deu um grito:
- É o barco de meu pai, o "Solidão"!!!  O rapaz, saiu correndo para sua casa, e ao encontrar sua mãe gritou: 
- Mamãe papai voltou!!!! 
Ela, muito assustada, foi puxada pelas mãos do filho até a beira da praia e ao chegarem, lá estava o "Solidão".  Felizes com aquele acontecimento, o garoto comentou: 
- Agora mãe, lhe prometo que não faltará mais nada em nossas vidas, pois vou pescar com o nosso barco!

E  finalmente, essa história termina com o filho do pescador fazendo mais sucesso do que seu pai e se tornando  o pescador mais rico daquela colônia!


AUTORIA: Mário Garcia Aguiar

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