A LENDA DO QUEBRA OSSO

OBS: Esta história se passou comigo. Em minha juventude em Cachoeiro de Itapemirim, cidade ainda de interior naqueles tempos, meus amigos se reuniam constantemente e procuravam a mim e meu irmão Isaac para fazer alguma aventura nos finais de semana.
Tinha um dos amigos, o qual demorei a lembrar do seu nome, Elmar, cujo apelido era “ais programa”, devido de que no finais de semana mal abria nossa loja e lá vinha ele entrando e gritando: - “ais programa” pra domingo?.
Então tínhamos que arranjar alguma coisa pra aprontar no domingo:
pescarias, banho de rio, escalagem de pedra e muitas outras coisas.
Em um desses programas, exploramos uma gruta, que se localizava em Monte Líbano. O dia amanheceu e partimos em um candango ao destino.
Em um desses programas, exploramos uma gruta, que se localizava em Monte Líbano. O dia amanheceu e partimos em um candango ao destino.
Chegando próximo da localização, perguntamos a um caboclo em um
terreiro de sua tapera fazendo balaios onde ficava a tal gruta. Ele informou
que a gruta ficava em cima de um morro, mas era pra tomarmos cuidado, pois ali
morava um tal de "quebra osso" que as vezes de sua casa escutava o
quebrar de osso dele. Mas dizem que pra que sejam protegidos ao entrar na gruta,
deverão gritar "me da licença seu quebra osso" e se o eco repetir
seus gritos poderíamos entrar.
Ouvindo sua orientação seguimos adiante e ao entrar na gruta, um dos amigos ficou de olhos arregalados com muito
medo. Subindo o morro, o vulgo "ais programa" pegou um pau seco e falou:
- Se o tal bicho aparecer irei nos
defender. Chegamos à entrada da gruta e todos gritaram: - Da licença seu quebra osso!! Logo o
eco repetiu nosso gritos, e falamos uns para os outros: - Agora podemos entrar! E assim entramos.
Na entrada, tinha uma linda abertura com um salão cheio de
estalagmite e muitos morcegos sobrevoando rente ao nosso rosto. Ficamos meio
assustados, mas continuamos a caminhada por uma estreita abertura.
Escureceu e o “ais programa” acendeu uma lanterna e fomos adiante
até chegar em outra sala menor. Olhamos com a lanterna um buraco com uma
descida de uns três metros. O “ais programa” acabou caindo nesta ladeira com a
lanterna e ficamos todos no escuro.
Lá de baixo ouvimos uns estalos que parecia estar quebrando alguma
coisa. Apavorados, gritamos para ele, que não respondia. Só ouvíamos os estalos
e desconfiávamos de que o quebra osso havia o pegado! O José Antonio Moura,
vulgo (Zé da Jóia), que era o mais medroso, se agarrou a nós e falou que tinha
uma caixa de fósforo no bolso. Acendemos e vimos o nosso amigo lá em baixo
morrendo de rir, quebrando o pau que havia levado. Só faltamos dar uns tapas
nele e assim retornamos da aventura da gruta da lenda do "quebra
osso" todos sujos e rindo da sacanagem do “ais programa”! (risos)
OBS: Depois de alguns anos, retornei a esta gruta. No local, foi construída
uma fábrica de cimento "barbara" que hoje se chamava Nassau,
dinamitada na exploração de minérios e na fabricação de cimento. E assim acabando
com a gruta e a lenda do "quebra osso"!
AUTORIA: Mário Garcia Aguiar
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