Histórias do Vovô Mario

Histórias do Vovô Mario

domingo, 3 de novembro de 2013

a lenda do quebra osso

A LENDA DO QUEBRA OSSO


OBS: Esta história se passou comigo. Em minha juventude em Cachoeiro de Itapemirim, cidade ainda de interior naqueles tempos, meus amigos se reuniam constantemente e procuravam a mim e meu irmão Isaac para fazer alguma aventura nos finais de semana.

            Tinha um dos amigos, o qual demorei a lembrar do seu nome, Elmar, cujo apelido era “ais programa”, devido de que no finais de semana mal abria nossa loja e lá vinha ele entrando e gritando: - “ais programa” pra domingo?.
Então tínhamos que arranjar alguma coisa pra aprontar no domingo: pescarias, banho de rio, escalagem de pedra e muitas outras coisas.
Em um desses programas, exploramos uma gruta,  que se localizava em Monte Líbano. O dia amanheceu e partimos em um candango ao destino.
Chegando próximo da localização, perguntamos a um caboclo em um terreiro de sua tapera fazendo balaios onde ficava a tal gruta. Ele informou que a gruta ficava em cima de um morro, mas era pra tomarmos cuidado, pois ali morava um tal de "quebra osso" que as vezes de sua casa escutava o quebrar de osso dele. Mas dizem que pra que sejam protegidos ao entrar na gruta, deverão gritar "me da licença seu quebra osso" e se o eco repetir seus gritos poderíamos entrar.
Ouvindo sua orientação seguimos adiante e ao entrar na gruta,  um dos amigos ficou de olhos arregalados com muito medo. Subindo o morro, o vulgo "ais programa" pegou um pau seco e falou: - Se o tal bicho aparecer irei nos defender. Chegamos à entrada da gruta e todos gritaram: - Da licença seu quebra osso!! Logo o eco repetiu nosso gritos, e falamos uns para os outros: - Agora podemos entrar! E assim entramos.
Na entrada, tinha uma linda abertura com um salão cheio de estalagmite e muitos morcegos sobrevoando rente ao nosso rosto. Ficamos meio assustados, mas continuamos a caminhada por uma estreita abertura.
Escureceu e o “ais programa” acendeu uma lanterna e fomos adiante até chegar em outra sala menor. Olhamos com a lanterna um buraco com uma descida de uns três metros. O “ais programa” acabou caindo nesta ladeira com a lanterna e ficamos todos no escuro.
Lá de baixo ouvimos uns estalos que parecia estar quebrando alguma coisa. Apavorados, gritamos para ele, que não respondia. Só ouvíamos os estalos e desconfiávamos de que o quebra osso havia o pegado! O José Antonio Moura, vulgo (Zé da Jóia), que era o mais medroso, se agarrou a nós e falou que tinha uma caixa de fósforo no bolso. Acendemos e vimos o nosso amigo lá em baixo morrendo de rir, quebrando o pau que havia levado. Só faltamos dar uns tapas nele e assim retornamos da aventura da gruta da lenda do "quebra osso" todos sujos e rindo da sacanagem do “ais programa”! (risos)

OBS: Depois de alguns anos, retornei a esta gruta. No local, foi construída uma fábrica de cimento "barbara" que hoje se chamava Nassau, dinamitada na exploração de minérios e na fabricação de cimento. E assim acabando com a gruta e a lenda do "quebra osso"!


AUTORIA: Mário Garcia Aguiar

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